quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Hoje Não - Minha crença na Morte.

Meu personagem preferido de Guerra dos Tronos sempre foi o Syrio Forel, mestre da Waterdance, que ensinou Arya em Westeros durante o tempo em Ned Stark foi a Mão do Rei.
Teve gente me perguntando o porquê, se o cara morre e não tem participação alta na trama.

Primeiro, a crença dele na morte como o único deus. Eu creio nisso como ele. Poucas vezes falo das minhas crenças, mas vejo a morte como o único Deus realmente poderoso. Toda cultura antiga tinha espaço pra ela e muitas prestam respeito até os dias de hoje. Até mesmo no cristianismo, o ato de superar a morte nos leva a crer em um ser mais poderoso. Na minha opinião, isso é engano.

Não se pode mudar ou parar a morte. Ela vai chegar pra você, mesmo que você evolua, melhore, invente formas de se proteger e seja uma pessoa saudável. Ela virá e vai levar você pela mão. Se ela virá gentilmente ou não, a escolha é sua. Ou das pessoas à sua volta.

No entanto, a morte faz você pensar. Não é morrer em si que te torna forte, e sim sobreviver a isso. Quando uma pessoa chega bem perto da morte e ela diz "hoje não", essa pessoa sabe que "nasceu de novo". A morte ensina o recomeço. Ela te torna mais humilde perante o tempo e o espaço e ensina como ambos são efêmeros e relativos. A morte não é um fim, ou um meio - ou um início. A morte é o recomeço.

A alquimia ensina que tudo na vida é reconstrução. Você compreende, destrói e depois reconstrói aquilo. Ou transmuta. A morte é uma alquimia. Ela pode ser medida pela respiração, mas não se pode afirmar quantas respirações um homem tem antes de morrer. Você respira, transmuta tudo e acabou. A morte não consome ninguém. Ela apenas transforma. Você morre e vira adubo. Outras vidas vão precisar de você.

Por isso Syrio é meu personagem preferido. E se alguém pode pensar que ele foi efêmero e enganado pela morte, posso dizer que não. Um texto sobre a Arya em Guerra dos Tronos é um texto sobre Syrio Forel. Sempre. Leia os capítulos dela e verá cada passo de Syrio em seus comentários. Ele a ensinou e ela aprendeu. Ela foi uma Dançarina da Água perfeita. teve muitos nomes, muitas vidas. Mas Syrio para ela foi um só. E ela aprendeu com sua morte, dizendo todos os dias para essa deusa: "Hoje não".

Eu acordo vivendo um dia de cada vez atualmente. E sempre acordo com "valar morghulis". Sempre penso nessa frase. Todos os homens devem morrer. Tudo é efêmero.

Em seguida, olho minha mulher, minha casa, minhas coisas. Lembro de cada pessoa que me ajudou. Cada mão no ombro me apoiando. Cada sorriso sincero pela minha felicidade. Beijo minha mulher até ganhar um sorriso dela.

E digo à minha deusa, minha crença: "Hoje não".