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sábado, 8 de março de 2025

Clamor da Filha do Mar

Lagoa Mais Bela
Espelho da vida 
Quem há de cantar, 
A sagrada canção florescerá? 
Mas caiu o pescador
O peixe agora jaz 
Sob o sangue dos vis
Sob o egoísmo dos homens
Em minhas águas negras
Sem luz, sem alegria
A podridão e a sombra
Onde antes ouvia-se
O cantar dos pássaros
Asas sábias
Perdidas na escuridão
A besta, o homem
O amor pela riqueza
Arderam em chamas 
As árvores entre o sagrado
Que meu pai, o mar 
Que ele me sinta
E meu juramento sagrado se cumpra
Levando-me nas ondas perdidas

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Eulália

Há tempos de vendavais
Quando eu pousava nos areais
Vagava areia, pedra e sal
Cantava pelo matagal

Quando encontrei na gruta antiga
Até então quem não era amiga
Dada idade que ela tinha
Olha de morte que não minha

Guardava segredo das pedras e plantas
Ditava quem o Cardeiro espanta ou canta
Fria como na Andorinha a ventania
Era Eulália, velha guardiã da poesia

Era quem guardava os versos das correntes
Dos peixes e gaivotas presentes
Senhora das aranhas em suas teias
Velha serpente que jamais pisa a areia.

Dizem Eulália ser finada Firmina
Dizem a cobra ser a morte ferina
Eu digo que é tão velha quanto a pedra e o mar
Serpente que guarda a vida a sibilar...